PROUT é a sigla de Progressive Utilization Theory, ou seja a Teoria da Utilização Progressiva, que é um modelo sócio-económico proposto, em 1959, por Prabhat Rainjan Sarkar (1921-1990).
A Teoria da utilização progressiva, como o próprio nome indica, é uma teoria inspirada na ideia da “utilização progressiva”. “Utilização”, no presente contexto, significa a capacidade que o mundo material tem de suprir as necessidades dos seres humanos e impulsionar o seu desenvolvimento nas esferas: física, mental e espiritual. “Progressiva” é o termo aplicado às coisas direccionadas ao progresso, conduzidas para o bem-estar.
Em PROUT, a motivação para a actividade económica é atender às necessidades humanas, acelerar o desenvolvimento dos seres humanos, com o intuito de utilizar progressivamente o potencial dos diferentes recursos, serviços e ideias, visando o bem-estar colectivo, ajustando assim a dinâmica e o progresso político, económico e social.
PROUT é um sistema universalmente aplicável, com base nos valores do Neo-Humanismo.
Princípios Gerais de PROUT
Produção dos Requisitos Básicos e Utilização Máxima
O objectivo económico de PROUT é a “utilização máxima” e a “distribuição racional” dos recursos do mundo. Utilização máxima no campo da economia significa que os recursos do mundo deveriam ser distribuídos de forma progressiva e eficiente, com a intenção única de atender às necessidades de todos os seres humanos. As pessoas devem planear a sua própria economia e controlar os seus próprios recursos. Isso é essencial para garantir a sustentabilidade do meio ambiente e prevenir a exploração económica. PROUT estimula a evolução científica constante, com o espírito de promover o bem-estar geral, a independência económica local e o aumento da produtividade. A economia deve garantir o poder de compra da população e a produção das necessidades básicas.
Distribuição Racional
O aspecto mais marcante e fundamental do sistema económico de PROUT é a garantia das necessidades básicas a todos. As necessidades básicas devem ser definidas de forma progressiva, ou seja, deve haver um ajuste contínuo das necessidades básicas, de acordo com os recursos disponíveis e o padrão científico da localidade. As necessidades básicas devem ser asseguradas através do planeamento local, o qual deve garantir a criação de empregos, para que a população possa ter poder de compra. Somente em circunstâncias especiais, ou no caso de pessoas com problemas mentais ou fisicamente incapazes, poderá haver algo semelhante ao sistema de protecção e bem-estar social vigente.
Na estrutura económica de PROUT, o poder de compra das pessoas é tido como a medida de desenvolvimento económico. Para facilitar o aumento contínuo dessa capacidade, certos factores são necessários, são eles:
PROUT classifica estes itens como as cinco necessidades básicas da vida:
Na categoria de necessidades suplementares estão:
Amenidades devem ser providenciadas para que as pessoas possam contribuir mais efectivamente para a sociedade. Por exemplo, um cientista deve ter equipamentos de última geração; um artista, materiais de primeira categoria; e assim por diante. Assim, esses indivíduos poderão desenvolver as suas habilidades de forma a proporcionar maior benefício a todos. As pessoas com habilidades especiais e que prestam serviços importantes devem receber incentivos acima da média da população. Também deve haver esforços constantes para providenciar o máximo de amenidades para todos, independentemente do mérito individual. Por fim, haverá um processo infinito para minimizar a disparidade entre ricos e pobres, embora ela nunca deva chegar a zero. Esse direito ao máximo de amenidades deve constar na Constituição.
O salário mínimo deve ser suficiente para atender às necessidades básicas: casa, comida, vestuário, assistência médica e educação. Estas necessidades devem variar de acordo com o lugar, a época e a pessoa.
No sistema de PROUT as necessidades básicas são garantidas e existe um limite para a acumulação da riqueza. Os salários mais altos devem subir na mesma proporção que os mais baixos. A aplicação de um tecto para os salários mais altos dependerá da economia local e de como a sociedade se manterá economicamente activa e dinâmica. Numa sociedade sem grandes disparidades económicas um tecto salarial (10xX) que corresponda a 10 vezes o salário mínimo (X) será o ideal, num primeiro momento. A sociedade ao trabalhar para elevar o padrão de vida dos seus membros mais pobres, garantirá a melhoria de todos. Na medida em que o valor “X” aumenta, a riqueza colectiva aumentará.
Democracia económica
De acordo com PROUT, a garantia das necessidades básicas e a descentralização económica são relevantes para a definição de democracia, surgindo daí o conceito de “Democracia Económica“. A democracia económica defende a transferência do poder de decisão das actividades económicas para a população local.
Para o estabelecimento da democracia económica, são necessárias quatro condições:
Com PROUT, os frutos do trabalho são do trabalhador, devendo ele manter um controle sobre isso. Para alcançar isso, PROUT recomenda a economia descentralizada, baseada no sistema cooperativo.
NOTA: As aplicações práticas e as regras fundamentais de PROUT devem ser modificadas de acordo com as mudanças de tempo, lugar e pessoa. As adaptações evitarão a sua queda em armadilhas dogmáticas. A libertação de dogmas é um sinal de progresso. O desenvolvimento de PROUT surge do esforço para estabelecer a racionalidade e a justiça social para todos e firmar a harmonia entre as actividades humanas e as aspirações espirituais mais profundas.