Cultura

A nossa vida colectiva é caracterizada pela nossa cultura e civilização. Devemos fazer uma distinção entre cultura e civilização. A cultura, em PROUT, designa a quantidade e a variedade das expressões humanas, inclusive as crenças, os costumes, as artes etc, enquanto a civilização diz respeito ao nível de sentimento humano e racionalidade presente na cultura.

Uma estrutura social sofisticada pode ter um alto grau de cultura, mas se ela for permeada de discriminação ou exploração (tais como a escravidão, sexismo, racismo ou especismo) ela é incivilizada. Da mesma forma, quando a arte é de boa qualidade, mas superficial, ela exibe cultura, mas é carente de civilização.

Daí, é possível ter cultura e não se ser civilizado, ou ser-se civilizado sem ter cultura.

Algumas populações nativas podem ser relativamente “aculturadas”, por exemplo, não possuir linguagem escrita ou tecnologia sofisticada, mas serem altamente civilizadas. Da mesma forma, vemos muitas nações científica e culturalmente avançadas, cujo comportamento social degradante representa falta total de civilização.

De acordo com PROUT, a civilização deve sempre ter primazia sobre a cultura e a ciência. A cultura se desenvolve naturalmente com o intelecto, sendo essencial que ela tenha um fundamento sólido de civilização. Porém, quando a ciência adquire uma posição de destaque em relação à civilização (especialmente no caso do mundo ocidental, e cada vez mais em todo o mundo), a sociedade é fadada a se tornar materialista e desequilibrada — daí os enormes gastos com armamentos, enquanto certos problemas, como a garantia das necessidades básicas de alimento para a maioria da população, ficam sem solução. A ciência que não estiver ao serviço da civilização não deve de ser considerada como progresso.

A filosofia de PROUT baseia-se numa visão universal e procura alcançar a unidade através da diversidade. Portanto, a cultura humana é considerada, essencialmente, como uma só, tendo, porém, variações regionais. Essas variações devem engrandecer a beleza coletiva, ao invés de criar divisões. As tendências básicas da mente humana são iguais em toda parte; porém, devido a vários fatores, elas são expressas sob diferentes formas e em proporções diferentes. Para desenvolvermos a verdadeira unidade, é preciso respeitar a diversidade e, ao mesmo tempo, reconhecer as nossas semelhanças inerentes.